Ao longo do desenvolvimento dos diferentes povos, diferentes sistemas Astrológicos foram criados: Astrologia Maia, Astrologia Egípcia, Astrologia Persa, Astrologia Helenista, Astrologia Indiana, Astrologia Chinesa, entre outros. Cada um destes sistemas surge a partir de diversas demandas, como observar “o tempo”, entender os ciclos da natureza etc.

Poucas vezes paramos para observar que cada um destes povos desenvolveu seu sistema com base na concepção de “EU” e “MUNDO” particular, baseado na Filosofia e Religião local. Ou seja, é praticamente e teoricamente inviável comparar diferentes sistemas com o objetivo de encontrar “A MELHOR ASTROLOGIA”, pois tropeçaremos em objetivos distintos dos diferentes sistemas.

A Astrologia Indiana (Jyotisha) se mostra profunda, funcional e clara devido à sua profundidade Teórica, não apenas em conhecimento Astronômico, mas porque nela foi incluído todo o conhecimento sobre a mente, natureza interna e externa e a teoria da realidade indiana.

Os Indianos entendem a natureza dos fenômenos totalmente diferente dos outros povos, ou seja, tudo aquilo que os gregos teorizam sobre os Signo de Áries, não encontra Ressonância no Mesha Rasi indiano, ou o Sol Grego e o Surya indiano e toda e qualquer outra comparação. Pensamentos assim reduzem ambos os sistemas, os quais são extremamente ricos, mas totalmente independentes.

Portanto, quando fizer seu mapa védico esqueça tudo o que sabe sobre signos e elementos astrológicos aprendidos em outros sistemas, pois estes conhecimentos surgem de visões de mundo e teorias de realidades distintas.

O sistema indiano de Astrologia, por sua vez, não é um conhecimento “revelado pela divindade”, apensar de muitos autores defenderem que sim. É uma questão simples: os antigos sábios atribuíam seus escritos aos Deuses como forma de devoção. Uma prova que temos sobre isso são os próprios Shastras (manuais de astrologia) que mostram uma clara evolução do sistema ao longo dos séculos. Temos um bom exemplo disso: o texto de Varaha-Mihira não comenta nada sobre Vimshottari Dasha e muitos outros sistemas de Yogas etc., definições que começam a surgir mais tarde. Assim, quando comparamos as diversas obras vemos um grande desenvolvimento e aprimoramento do sistema.

De fato, o Jyotisha se mostra “Astronomicamente” muito preciso, porém, academicamente ele não está 100% de acordo com os princípios astronômicos atuais. Essa seção de estudos técnicos-matemáticos nós, Astrólogos, chamamos de Siddhanta e a grande “magica” está na seção chamada HORA, que seria o conhecimento do impacto dos fatores Astrológicos na Vida humana.

Na índia não se considera que a “vibração” ou “magnetismo” dos grahas que gera efeito aqui na vida humana, mas que o movimento celeste está compassado com o movimento sutil da mente humana. Portanto, o que estudamos é a natureza humana refletida no movimento do céu, que só é possível graças à INTERDENPEDÊNCIA ou Teia de Indra como defende o Hinduísmo.

O jyotisha não se trata de uma ciência exata. Se você se perceber preso em uma “exatidão astrológica” caiu num buraco muito temido pelos professores de Astrologia, o famoso calculismo astrológico, o que, te distancia da Sabedoria das Luzes – Jyotisha em sânscrito. Este sistema de Astrologia, assim como outros, está cheio de arredondamentos matemáticos e até negligências astronômicas, mas volto a dizer, não é o céu que estudamos, e sim a vida e a natureza humana.

Muitos acreditam que podem estudar Jyotisha sem conhecer os conceitos e teorias indianas, isso é impossível, mas não estou dizendo que você deva ser hinduísta. O hinduísmo é algo recente, uma reorganização das tradições antigas, logo o Jyotisha é mais antigo que o hinduísmo, e diversos sistemas filosóficos e religiosos adotaram o Jyotisha na índia e fora dela.

Se você pretende estudar Jyotisha, saiba que você deve estar disposto a ver a realidade por novas perspectivas, e acima de tudo não trazer para dentro do sistema conceitos e interpretações externas. Isso irá contaminar sua compreensão e dificultará o aprendizado. Como diz um grande sábio: “Não conserte o que não está estragado”.

Gaden Wangchuk
Março de 2021 – Durante a Pandemia

OM MANI PADME HUM

Guilherme Bitencourt

Guilherme Bitencourt

Astrólogo védico e coordenador de estudos budistas. Certificado pela Academia Brasileira de Astrologia Védica (ABAV) em nível Avançado, também realizou sua formação nos institutos Sri Ganesa e Jyotisha-shastra no Brasil. Palestrante nacional da Sociedade Teosófica do Brasil. Discípulo do mestre de tantra budista Lama Michel Tulko Riponche, estudante de Astrologia Kalachakra e Saptarisis.

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