O Jyotisha, nome original da Astrologia Védica, é um sistema astrológico que teve seu surgimento entre os Ario-Hindus. Seus primeiros registros são datados do ano de 1600 a 1800 A.C.

Essa modalidade de astrologia surgiu com duas funções especiais: ajudar no entendimento dos Vedas (Vedanga-Jyotisha) e sistematizar a noção da passagem do tempo através da observação do movimento dos astros. Inicialmente, eram considerados apenas o Sol a Lua e as Nakshatras (asterismos ou mansões Lunares) para identificar tempos auspiciosos e inauspiciosos. Com as trocas culturais que aconteceram com os Yavanas (Gregos), no Noroeste da Índia por volta do primeiro milênio D.C., o Jyotisha recebeu em seu corpo teórico um manancial de técnicas e conhecimentos da Astrologia Babilônica, Egípcia, Helenística, entre outras.

Existem diversos subsistemas ou “escolas de Jyotisha” diferentes. As mais antigas, ou clássicas, são Parashari, Jamine, Brgu, Nadi, Yavana. Entre as escolas modernas, destacamos KP Astrology, Sanjay Rath, Usha&Shai, Saptarishis, NeoVedica. Todas com suas peculiaridades e diferenças metodológicas.

Parashara, o Sábio compilador do Jyotisha como conhecemos atualmente, organizou o sistema em três seções de estudo:

  1. Siddhanta – Cálculo matemático e observações astronômicas;
  2. Hora – É a seção de Astrologia Natal exaltada pelo discípulo de Parashara – Maytreia – como sendo a superior entre as demais. Nesta seção estudamos os efeitos e implicações dos signos, planetas, casas, Nakshatras, Yogas astrológicos, etc. Ela compreende três subgrupos: Astrologia Horoscópica (Jataka), Astrologia Horária (Prashna) e Astrologia Eletiva (Muhurta);
  3. Samhita – Estudo sobre os fenômenos de impacto coletivo como: Meteoros, Eclipses, Chuva de estrelas Etc. Além de abordar profundamente nimitta (sinais) e svapna (sonhos premonitórios);

Também conhecido como “o estudo das luzes”, o Jyotisha estuda a interação dos seguintes fatores que compõem a vida manifesta:

  1. Kala: o tempo eternamente cíclico;
  2. Prakiti : a natureza Fenomênica;
  3. Karma: o ciclo das ações e reações.

No aforismo advindo do Yajur Veda “yat piṇḍe tat brahmāṇde”, que significa “o que há no macrocosmo está também presente no microcosmo”, lembramos que tudo o que ocorre em nossa esfera de existência também encontra ressonância nas esferas superiores. Dessa forma, é possível entender que há uma analogia entre os movimentos do céu e os eventos na Terra, que é utilizada como base do Jyotisha tornando-a uma sabedoria ou uma ciência sagrada, essencialmente holística que surgiu da observação dos ciclos precisos da natureza.

Uma das peculiaridades do Jyotsha é a precisão matemática utilizada para determinar as posições astronômicas das constelações e planetas. É comum ver o seu mapa natal astrológico ocidental sofrer alterações quando você consulta um Astrólogo Védico, o qual dará maior atenção aos sistemas de cálculos antes de estabelecer predições. Inclusive, muitas fórmulas desenvolvidas pelos Astrólogos Védicos do passado são utilizadas como base para os cálculos astronômicos modernos.

Astrologia Védica é um sistema completo de interpretação da interdependência dos fenômenos capaz de gerar reflexões profundas sobre a influência do tempo na vida, as marcas karmicas impressas no contínuo mental (skandhas e kleshas). Através do estudo de um mapa natal é possível identificar características individuais e as tendências de acontecimentos. O mapa astrológico natal auxilia profundamente no equilíbrio de nossas vidas materiais e, acima de tudo, proporciona maior clareza no caminho espiritual.

Guilherme Bitencourt
Gaden Whangchuk

Guilherme Bitencourt

Guilherme Bitencourt

Astrólogo védico e coordenador de estudos budistas. Certificado pela Academia Brasileira de Astrologia Védica (ABAV) em nível Avançado, também realizou sua formação nos institutos Sri Ganesa e Jyotisha-shastra no Brasil. Palestrante nacional da Sociedade Teosófica do Brasil. Discípulo do mestre de tantra budista Lama Michel Tulko Riponche, estudante de Astrologia Kalachakra e Saptarisis.

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