O presente texto é a transcrição de uma palestra realizada no dia 14/02/2021 através da Sociedade Teosófica Interamericana. Gaden Wagchuk expõem aqui uma breve introdução ao LAM-RIM do Budismo Tibetano.

“Os ensinamentos em etapas, também conhecidos como lam-rim, fornecem uma estrutura na qual podemos encaixar todos os ensinamentos do sutra de Buda, do início ao fim. O lam-rim mostra claramente como todos os ensinamentos se encaixam. Trata-se de uma instrução pessoal para nosso próprio desenvolvimento espiritual.” – Alexander Berzin

O surgimento de um Buddha é extremamente raro na história dos Universos segundo alguns Mestres, o fato destes Buddhas ensinarem o Dharma é ainda mais raro, e, portanto, um Buddha ensinar o Dharma Lamrim é mais raro que cem mil Joias-que-realizam-desejos.

Como Buddha ensina em um de seus discursos, somos como uma tartaruga vagando em um imenso oceano sem praias (nascimento, envelhecimento, doença e morte), que raramente sobe a superfície para respirar. Neste oceano uma argola dourada (Buddha Dharma) boia sem rumo, encontrar o Dharma em uma vida humana é tão raro quanto esta tartaruga ao subir a superfície entrar com a cabeça na argola dourada.

Todos nós buscamos a felicidade, em todas nossas ações estamos convictos que estamos fazendo o que de melhor podemos para alcançar a felicidade, mas nossa atual realidade prova que nossos esforços têm sido fracassados e que precisamos fazer algo para mudar isso.

O Buddha (O desperto) é este ser que não se contentou com a realidade do sofrimento e insatisfação, mesmo tendo tudo que poderia satisfazer seus desejos a sua disposição, ao entrar em contato com o Nascimento, Envelhecimento, Doença e Morte ele se viu incapaz e preso ao círculo sem fim. Diferente de nós, ao invés de buscar adormecer a dor da consciência perante as quatro misérias do samsara, ele iniciou uma busca espiritual rumo a libertação e iluminação.

Essa busca culminou em seu Nirvana embaixo da arvore Boddhi, em Bodhigaya. Buddha levantou-se da meditação e disse as seguintes palavras:

“Relaxei no néctar profundo do espaço claro permanente, mas ninguém compreende quando falo sobre isso. Então, como não há ninguém a minha volta, desejo deixar a floresta da iluminação e continuar sozinho”. – NgelSo – Autocura Tantrica III

Despois de conferir estas palavras, budda entra em meditação por mais um período, do Reino dos Deuses Brahma e Indra observam a iluminação de Buddha, e levam a ele uma concha e uma roda do dharma, pedem a ele que ensine o dharma conferindo as seguintes palavras:

“Senhor, não se distancie ainda mais dos seres vivos deste mundo. Há alguns com apenas um pouco de poeira nos olhos, que poderão rapidamente compreender suas palavras”. – NgelSo – Autocura Tantrica III

A partir deste pedido, criam-se causas e condições para que o Buddha ensine o Dharma, isso faz com que Buddha vá a Varanasi encontre-se com seus antigos companheiros de Yoga Vedantino e dê seu primeiro ensinamento formal, o DHARMACHAKRASUTRA, ou seja, o sutra da roda do dharma.

No que diz respeito de como nós ocidentais podemos estudar e compreender os ensinamentos do Buddha, em especial os ensinamentos Lamrim, o Grande Estudioso Alexander Berzin pergunta ao Dalai Lama:

“Dr. Berzin: Qual é a melhor maneira de ensinar o lam-rim na Europa Oriental? Sua Santidade tinha sugerido, no discurso Lama Chöpa, (Bla-ma mchod-pa, O Guru Puja, Uma Cerimónia de Oferendas aos Mestres Espirituais), para começar com as quatro nobres verdades e com o escopo intermediário. Poderia explanar sobre isto? […].

Dalai lama: Eu penso que […] é melhor começarmos com as quatro nobres verdades.
Basicamente, podemos entender as quatro nobres verdades a dois níveis o nível da liberação [temporária do sofrimento e o nível da liberação real do sofrimento. Pretender a liberação temporária corresponde ao nível inicial de motivação do lam-rim. Pretender a liberação verdadeira – a liberação do samsara ou a completa realização da iluminação – corresponde aos níveis de motivação intermédio e avançado.]”. – O Conselho do Dalai Lama sobre Como Ensinar o Lam-rim.

Este conselho server para todos nós ocidentais, pois sem compreender nossa real situação (o que acontece quando estudamos as 4 nobres verdades) não saberemos em que ponto do caminho estamos, e, portanto, o avanço no desenvolvimento se torna impossível.

Buddha deu muitos ensinamentos que por vezes podem parecer contraditórios em nossas mentes, ou mesmo dão a entender ao leigo que hora o buddha ensina uma coisa e em outro momento ensina algo que nega seu ensinamento anterior.

            Por isso devemos ter em nossas mentes muita clareza sobre a intenção do Conquistador e devemos conhecer onde cada ensinamento se aplica para avançarmos com sabedoria. Por isso devemos saber duas coisas (1) todos os ensinamentos de Buddha são conselhos pessoais para a prática, (2) os ensinamentos de buddha estão livres da contradição.

O Comentário de Avalokitavrata sobre a “Lâmpada da Sabedoria” (Prajna-pradipa-tika) diz:

Com relação aos “ensinamentos”, as escrituras do Bhagavan ensinam com precisão o que deve ser completamente conhecido, o que deve ser eliminado, o que deve ser manifestado e o que deve ser cultivado por Deuses e humanos que desejam atingir o estado ambrosial [de um nirvana inabalável].

Ou seja, o Buddha concede seus ensinamentos a todos os seres, e todos estes ensinamentos são capazes de conduzir a iluminação última, porem cada discurso que Buddha deu ele levava em consideração três fatores (1) particularidades de quem ouvia, (2) contexto cultural da época e (3) momento histórico ou temporal, portanto estudar o Buddha Dharma exige que compreendamos onde e como aplicar cada discurso do Buddha, o Lamrim tem esta função em expecifico.

No Lamrim Chenmo de Je Tsongkhapa encontramos mais pistas sobre como se relacionar com o Dharma de Buddha:

“Assim, os ensinamentos correspondem ao que o Conquistador explicou bem. Aqui, [no contexto da Lâmpada para o Caminho da Iluminação] saber que todos os ensinamentos estão livres de contradição significa entender que eles são o caminho pelo qual uma pessoa se torna um Buda. Alguns [ensinamentos] são os pontos principais do caminho; alguns são os vários ramos do caminho.

Os Bodissatvas fazem do seu objetivo realizar o bem para o mundo [todos os seres vivos]. Como os bodissatvas devem cuidar dos estudantes que são seguidores das três linhagens (śravakas, pratyekabuddhas e bodhisattvas), eles devem treinar nos caminhos dessas três linhagens.” – Lamrim Chenmo, Tsongkhapa 

            Ou seja, entre os muitos sutras, existem aqueles que demonstram os aspectos chaves do caminho, e aqueles que são ensinamentos ramificados, ou que servem para determinados momentos ou pessoas em específico. Um exemplo são os votos vinaya que surgiam na dependência da demanda da Sangha (comunidade monástica). Outro exemplo são os ensinamentos sobre os 12 elos e as 4 nobres verdades, que são bases para todos os demais ensinamentos.

            A respeito dos Arya Bodhissatvas que treinam nas três linhagens e por isso são os guias dos três tipos de aspirantes podemos pensar o seguinte: os Shravakas (aquele que ouviu o Dharma e busca se libertar do samsara), necessita de instruções apropriadas a seu objetivo (podendo dar grande enfoque nos 12 nidanas por exemplo). Já o Pratyekabuddha (aquele que realiza a libertação do nascimento condicionado, porem não ensina o Dharma), também necessita de instruções e orientação na sua busca pela paz nirvanica. E os Bodhissatvas (aqueles que buscam libertar todos os seres-vivos-maes do sofrimento samsárico), necessitam aprender como liberar os seres e a si mesmo, e portanto, os AryaBodhisstvas ensinam-lhes os três aspectos do caminho (Rênuncia, Bodhiccita e Shunyata). O Lamrim compreende as três buscas, apesar de enfatizar e incentivar o caminho do Bodhissatva.  

            Logo os três tipos de aspirantes são: Aqueles indivíduos que buscam um melhor renascimento (também chamados de pessoas de primeiro escopo) e o segundo são aqueles que aspiram à libertação individual (também chamados de pessoas de segundo escopo).

O terceiro tipo de pessoas são aquelas que praticam do ponto de vista da mais alta motivação espiritual – a mente da Iluminação – Bodhichita em sânscrito. São aquelas pessoas que buscam alcançar a iluminação para o benefício de todos os seres vivos (também chamados de pessoas de terceiro escopo).

Neste contexto o Lamrim é a tradição-sabedoria que preservou os ensinamentos do buddha de uma determinada maneira que organiza o Dharma em etapas para o benefício dos seres, ou seja, um caminho gradual de realização e compreensão, evitando que o praticante caia em armadilhas da contradição.

No livro de Geshe Rabten Riponche encontramos uma boa indicação sobre a origem destes ensinamentos nos tempos modernos:

“O Lamrim, esta senda graduada, que conduz à Iluminação, ensinada pelo própria Buddha, foi também examinada no texto abhisamayalamkara de Maytreia. A origem dos textos Lamrim ocorre com Atisha, o instrutor da India, que foi para o Tibet em 1042 […]. O ponto de partida foi o Bodhipathapradipa que é uma fusão entra a linhagem de Manjusri-Nagarjuna, com ênfase na compreensão da Vacuidade (Shunyata), e a linhagem Maitreya-Asanga, com ênfase na compaixão (bodhicita). Assim, o Lamrim uniu a filosofia de Nagarjuna (sabedoria) com o yoga budista de Asanga (método). […]. A tradição lamrim oferece uma síntese dos sutras e é a base para o Tantra”.   – A senda Graduada para a Libertação, Geshe Rabten.

            O professor Rafael Ananda Avalokita nos dá através de um texto publicado no site de sua Ordem mais um exemplo sobre a origem e finalidade do Lamrim:

Para alcançar a iluminação espiritual precisamos aprender, contemplar e sobretudo meditar nos ensinamentos deixados pelo Buda. Ele nos ensinou durante 45 anos e continuamente falava de acordo com a capacidade de entendimento de seus ouvintes, por isso seu ensinamento é muito extenso e diversificado. Para facilitar e resumir toda a essência dos ensinamentos, Atisha o organizou na ordem em que ele deve ser praticado, tornando-o fácil de ser entendido e praticado por qualquer pessoa – monge ou leigo. Essas obras não contêm todas as palavras dos Sutras, mas incorporam seu significado essencial.

Para nos familiarizarmos com as 21 Meditações, é útil aprendermos através de seu “esboço” ou sinopse. Ao se familiarizar completamente com o esboço de um lamrim, não importa quais exposições do ensino que você ouvir, você saberá exatamente onde o assunto se encaixa no esquema do Lamrim.

Com essa citação surgem algumas reflexões: (1) De fato o Lamrim é a síntese dos 84.000 ensinamentos de Buddha, entretanto não estão contidos nele os 3 Dharmas libertadores, eles são: LAMRIM, LOJONG e MAHAHUDRA, ou seja, o candidato a realização última de um Buddha deve conhecer e trilhar todo o caminho gradual (LAMRIM), transformar sua mente (Lojong) e por fim perceber com clareza a natureza última de todos os fenômenos (Mahamudra). Claro que dentro do Lamrim temos instruções de Lojong e Mahamudra, mas é adequado que o estudante também se dedique no estudo e prática das instruções especificas de tais ensinamentos.

(2) Esta organização feita por Atisha só foi possível porque ele recebeu as instruções das linhagens dos Pioneiros (Asanga e Nagarjuna), a linhagem da vastidão, com foco no estudo do abhidharma, e a linhagem da profundidade, com foco no estudo da vacuidade e da lógica. Essa organização resulta em 21 meditações que seriam a ordem de estudo e prática do Lamrim, em verdade são 21 tópicos que devem ser: estudados, analisados e por fim devem ser nossos objetos de meditação Shamata e Vipassana (dois temas que veremos mais avante).

(3) Compreendendo com profundidade os tópicos Lamrim, todos os demais ensinamentos de buddha se tornam claros para nós, teremos a habilidade de associar a nossa prática de lamrim qualquer outras “instrução-ramo”, ou seja, como o lamrim são os pontos-chave do caminho o aspirante não perderá tempo e se necessário sabe onde aplicar instruções novas.

Conhecer então um pouco sobre a linhagem lamrim se faz muito importante trago novamente uma citação de Ananda Avalokita que sintetiza o percurso desta linhagem:

COMO ESTE ENSINAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS?

Estes ensinamentos vieram através de vários mestres. Sendos os principais deles um indiano chamado Atisha e outros três, monges tibetanos ligados a escola dos “Virtuosos” ou Gelug.

Atisha Dipamkara (982-1054)

Atisha Dipamkara foi um grande estudioso indiano que realizou a propagação dos ensinamentos Lamrim e Lojong (treinamento mental), que mais tarde se tornaram o núcleo da tradição Gelug. Ele nasceu em uma rica família bengali na Índia. Foi ordenado aos 29 anos de e tornou-se um grande estudioso e praticante de sutra e tantra, recebendo tanto a linhagem de Sabedoria de Nagarjuna quanto a linha do Método de Asanga, unificando-as no Lamrim.

Em busca de um Guru para ensiná-lo sobre bodhicitta, ele viajou para a Indonésia por 13 meses em um barco, permanecendo lá por doze anos estudando os sutras da Perfeição da Sabedoria e a linhagem da bodhicitta de Shantideva com o mestre Serlingpa. Aos 45 anos, ele retornou à universidade monástica indiana de Vikramashila e se tornou um dos estudiosos mais importantes de toda a Índia. Por volta de 1040, ele foi convidado para o Tibete, onde passou pelo menos 13 anos ajudando a revitalizar a tradição budista. Atisha confiou este ensino Lamrim ao discípulo leigo tibetano Dromtonpa, que estabeleceu o Mosteiro Reting no Tibete.

Je Tsong Khapa (1357-1419)

Este mestre tibetano, também chamado de Lobsang Dragpa foi o autor de vários textos de Lamrim e é considerado o fundador da tradição Gelug e um dos mais influentes estudiosos budistas tibetanos do último milênio. Ele nasceu na região de Tsongkha, em Amdo. Aos 7 anos, recebeu ordenação como noviço e o nome Lobsang Dragpa Pal. Mais tarde, ele se mudou para Lhasa e estudou com mais de 50 professores de todas as tradições budistas tibetanas, incluindo seu mestre espiritual Rendawa. Ele era um mestre totalmente não sectário.

Aos 24 anos, recebeu ordenação completa e aos 37 anos foi com oito de seus maiores alunos à região de Olkar, onde passou muitos anos em retiro, ensinando e debatendo o significado dos sutras e tantras, o que resultou em uma profunda compreensão da visão Madhyamaka de Nagarjuna. Nos seus quarenta anos, ele compôs Lamrim Chenmo (O Grande Tratado sobre as Etapas do Caminho) e Ngarim Chenmo (O Grande Tratado sobre as Etapas Tântricas do Caminho). Em 1409, ele instituiu o Festival da Grande Oração em Lhasa e, em 1411, fundou o Mosteiro de Ganden, que acabou se tornando o maior mosteiro do Tibete. Amplamente considerado uma emanação de Manjushri, Je Tsong Khapa compôs dezoito volumes de obras, das quais a maioria tratava de assuntos tântricos. Entre seus muitos estudantes famosos estavam seus dois principais discípulos, Khedrub Je e Gyaltsab Je.

Pabongka Rinpoche (1878–1941)

Pabongka Rinpoche, Jampa Tenzin Trinlay Gyatso, foi um dos grandes mestes do século XX. Ele aprendeu todas as linhagens importantes de sutra e do tantra e as transmitiu aos seus discípulos que se tornaram o mestres mais importantes das próximas duas gerações. Ele era o guru raiz de Ling Rinpoche e Trijang Rinpoche, os dois tutores de S.S. o décimo quarto Dalai Lama.

Nasceu em Yuthog, perto de Lhasa, em 1878. Quando tinha 7 anos de idade, sua mãe solicitou uma audiência com Sharpa Choeje Lobsang Dhargay, que adivinhou que essa era realmente uma criança excepcional e, sob sua orientação, Pabongka Rinpoche foi matriculado no monastério Sera Mey no com 8 anos de idade. Lá, ele estudou os grandes textos e participou dos exames finais de debate aos 19 anos, após o qual se matriculou no Colégio Tântrico Gyuto por 3 anos. Mais tarde, ele recebeu ensinamentos e transmissões de muitos grandes mestres, incluindo Dagpo Lama Jamphel Lhundrup e Dagri Dorje Chang, sobre todos os aspectos do sutra e do tantra. Suas obras coletadas ocupam doze volumes, cobrindo todos os aspectos do budismo.

Trijang Rinpoche (1901–1981)

O Terceiro Trijang Rinpoche, Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso, foi um dos professores mais proeminentes do século XX. Hoje, praticamente todos os professores tibetanos da escola Gelug receberam ensinamentos ou capacitações de Trijang Rinpoche ou de um de seus alunos diretos.

Ele nasceu perto de Lhasa em 1901 e aos 4 anos foi reconhecido pelo décimo terceiro Dalai Lama, que lhe deu ordenação completa aos 19 anos de idade. Ele estudou os grandes textos por 12 anos com seu professor principal, Phulkhang Nangsang Lobsang Tsultrim, e recebeu muitos ensinamentos e transmissões dos grandes Lamas da época, incluindo Serkong Dorje Chang, Pabongka Rinpoche e Ling Rinpoche. Foi assistente da ordenação do décimo quarto Dalai Lama, e o acompanhou em visitas à China e Índia e, eventualmente, ao exílio na Índia, em 1959. Em 1954, foi nomeado como assistente filosófico do décimo quarto Dalai Lama, e foi seu tutor júnior por mais de quarenta anos. Tijang Rinpoche ensinou em muitos dos grandes mosteiros e institutos no exílio na Índia.

Esta linhagem tão especial é hoje mantida por grandes mestres como H.H XIV Dalai Lama, Kyabje Trijang Riponche, Ganden Trinpa, Kyabje Pabongkha Riponche, Rabten Riponche, Lama Zopa Riponche, Geshe Kelsang Gyatso e muitos outros.

Os 21 tópicos ou meditações organizadas no lamrim foram expostos nos ensinamentos de Geshe Kelsang Gyatso da seguinte maneira:

  • 1. A preciosa vida humana.
  • 2. Sobre a Morte e impermanência.
  • 3. O perigo de um renascimento inferior.
  • 4. A Prática de refúgio.
  • 5. As ações e seus efeitos.
  • 6. Desenvolver renúncia pelo samsara.
  • 7. Desenvolver equanimidade.
  • 8. Reconhecer que todos os seres vivos são nossas mães.
  • 9. Lembrar a bondade dos seres vivos.
  • 10. Equalizar eu e outros.
  • 11. As desvantagens do auto-apreço.
  • 12. As vantagens de apreciar os outros.
  • 13. Trocar eu por outros.
  • 14. Grande compaixão.
  • 15. Tomar. (Tong)
  • 16. Grande amor.
  • 17. Dar. (Leng)
  • 18. Bodhichitta.
  • 19. Tranquilo-permanecer.
  • 20. Visão superior da vacuidade.
  • 21. Confiar num Guia Espiritual.

Esta é a maneira clássica de organizar em meditações agora segue a maneira de organizar segundo os três escopos do Lamrim:

1. As quatro principais linhas do Lam-Rim:

a) Explicação do conhecimento supremo do autor, que valida a fonte dos ensinamentos;

b) Explicação das qualidades perfeitas do dharma, para que se desenvolva o respeito pelos ensinamentos;

c) Como o discípulo deve ouvir e como o professor deve explicar os ensinamentos que têm perfeitas qualidades;

d) Explicação da ordem dos ensinamentos que o discípulo deve seguir a fim de alcançar a iluminação.

2. O perfeito renascimento humano,

– Primeiro Escopo

3. A impermanência e a morte,

4. Os sofrimentos dos reinos inferiores,

5. O que é tomar refúgio,

6. A devoção ao guru,

7. A lei de causa e efeito: o carma,

– Segundo Escopo

8. O samsara ou existência cíclica e seus sofrimentos,

9. As Quatro Nobres Verdades e os Doze fatores interdependentes,

–Terceiro Escopo

10. O desenvolvimento da bodhicitta,

11. As seis Perfeições ou seis Paramitas,

12. Shamata ou concentração (quietude mental),

13. Vipassana ou visão extraordinária (sabedoria).

Termino minha apresentação com a abertura que Je Tsongkahapa fez de seus ensinamentos no Lamrim Chenmo, convindo então vocês a desbravarem esse caminho seguido pelos vitoriosos:

Rendo homenagens ao Guru Manjughosa.
Eu me prosto para o chefe dos Śakyas,
Cujo corpo foi formado por dez milhões de virtudes perfeitas,
Cuja fala satisfaz as esperanças de seres ilimitados,
Cuja mente vê precisamente todos os objetos do conhecimento.

Eu me curvo para Ajita [Maitreya] e Manjughosha,
Os herdeiros supremos do professor inigualável [o Buda].
Tendo assumido o ônus de todas as ações do Conquistador,
Eles emanam (manifestam-se) em inúmeros reinos búdicos
.

Ponho-me aos pés de Nagarjuna e Asanga,
Completamente renomados nos três níveis,
Ornamentos de Jambudvipa[1], que escreveu comentários
perfeitos sobre a intenção da Mãe dos Conquistadores[2],
Muito difícil de entender.

Eu me curvo a Dipankara [Atisha], portador do tesouro de instruções
Que compreende os pontos-chave (essenciais), íntegros e completos,
Do caminho da visão profunda e das vastas ações (atividades),
Transmitido bem por aqueles dois grandes pioneiros.

Eu me curvo com respeito aos professores
Que, com ações motivadas por intensa amabilidade,
Iluminam para os afortunados o portal que leva à libertação,
O olho para ver todas as escrituras ilimitadas.

Atualmente, aqueles que se esforçam no yoga estudaram
poucos [dos textos clássicos],
Enquanto aqueles que estudaram muito não são
hábeis nos principais pontos da prática.

Eles tendem a ver as escrituras pelos olhos da
dualidade, incapazes de usar a razão para
discernir o significado das escrituras.

Portanto, tendo visto que lhes falta o
caminho que alegra os sábios, as
instruções supremas e completas,
os pontos-chave dos ensinamentos,

Eu fui inspirado a explicar este caminho
dos grandes pioneiros.

Todos aqueles afortunados que não são
afetados pelas trevas da dualidade, que possuem
capacidade mental para discernir o bem e o mal,
e que desejam dar sentido a essa vida afortunada,
devem ouvir com atenção.

Aqui, os ensinamentos que explicarei é como os seres afortunados são levados à condição de buda por meio dos estágios do caminho para a iluminação que (1) contêm os pontos-chave de todas as escrituras do Conquistador, (2) É os caminhos forjado por dois grandes pioneiros, Nagarjuna e Asańga, (3) É o sistema para seres supremos que progridem para o estado de onisciência e (4) compreendem totalmente todos os estágios praticados pelos três tipos de pessoas.

Esta apresentação encontra-se neste LINK


[1] Na cosmologia budista, Jambudvipa é a alma dos quatro continentes ao redor do Monte Meru, a montanha no centro do mundo. É o continente no qual os seres humanos têm as melhores condições internas e externas para a prática religiosa.

[2] A “Mãe dos Conquistadores” é a Prajnaparamita-sutras (Perfeição dos Sutras da Sabedoria). A Sabedoria é a mãe de todos os conquistadores, ou seja, dos budas, no sentido de que através do desenvolvimento da sabedoria que conhece o vazio e assim por diante, pode-se finalmente alcançar a budeidade.

Guilherme Bitencourt

Guilherme Bitencourt

Astrólogo védico e coordenador de estudos budistas. Certificado pela Academia Brasileira de Astrologia Védica (ABAV) em nível Avançado, também realizou sua formação nos institutos Sri Ganesa e Jyotisha-shastra no Brasil. Palestrante nacional da Sociedade Teosófica do Brasil. Discípulo do mestre de tantra budista Lama Michel Tulko Riponche, estudante de Astrologia Kalachakra e Saptarisis.

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